terça-feira, 29 de maio de 2012


29/05/2012 - 15:29
Esquecidos, moradores do Manguezal pedem socorro
População do Recanto dos Manguezais pedem saneamento básico
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(Foto: Egyciane Lisboa estudante da UFS)
Mesmo vivendo na área urbana, os moradores doRecanto dos Manguezais, no bairro Augusto Franco, sofrem com a falta de saneamento básico. Eles apelam por medidas paliativas que resolvam a situação da área ocupada há mais de 10 anos. Entre os barracos, correm esgotos a céu aberto e muito lixo acumulado. Criança e idosos são os mais afetados pelas doenças causadas pelo mosquito da dengue e outras enfermidades.
As 180 famílias vivem e convivem com a precariedade no local, há mais de 10 anos. Eles ocuparam aquela região, antes inabitada, com intuito de garantir que as autoridades de os incluísse no programa de habitação. Entretanto, após anos de espera, a comunidade cresceu e os problemas também.
A desempregada, Maria dos Santos, mora na favela desde que ela foi erguida. No barraco vivem ela, os seis filhos e seus netos. Ela conta que seus netos aparecem doentes com dengue e doenças provocadas pela falta de saneamento. “Não aguentamos mais conviver com esse mau cheiro. As fezes ficam no meio da rua porque não temos rede de esgoto. A água tem que ser fervida e os mosquitos acabam com a gente”, relata.
Lucia Maria reclama da falat de assistência(Foto; Lenaldo Severiano Estudante da UFS)
Já Lucia Maria dos Santos, reclama da falta de assistência da Prefeitura para com a população. Ela denuncia que os agentes da dengue não aparecem no local para eliminar os focos do mosquito. “Meus filhos vivem doentes. A minha filha de 2 anos está com pneumonia e não tenho condições de comprar os remédios. É muito sofrimento e ninguém olha pela gente”, diz.
Semasc
A Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Aracaju (Semasc) garantiu que os moradores já estão cadastrados para os futuros empreendimentos habitacionais da Prefeitura.
SMS
Maria dos Santos espera por melhorias há 10 anos (Foto: Lenaldo Severiano/Estudante da UFS)
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também garantiu que os agentes de endemias do Programa Municipal de Controle da Dengue da Prefeitura de Aracaju realizam regularmente o ciclo de controle de focos e de mosquito do Aedes aegypti, no Recanto dos Manguezais. “A cada dois meses, a equipe da dengue visita toda a região, inclusive vistoriando área em questão, que corresponde ao quarteirão 196/1. Este ano, já foram realizadas duas visitas ao local. A próxima visita está prevista para o final de maio”, disse a 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Superação da miséria - José Cristian Góes

Os longos anos de dominação política e econômica em Sergipe produziram a riqueza para alguns poucos, a sedimentação de esquemas corruptos de meia dúzia de famílias no poder e principalmente o financiamento público das vidas privadas. A separação entre público e privado quase não existe e isso tem reflexo direto na distância lunar entre os mais ricos e os mais pobres em Sergipe.

Um dos graves problemas que precisa ser superado é o grau de miserabilidade em comunidades em todos os cantos de Sergipe, seja na capital da “qualidade de vida” ou no mais distante povoado. Não é admissível que Sergipe tenha a maior renda per capita do Nordeste, uma das maiores do Brasil, mas ao mesmo tempo carregue quase metade de sua população vivendo na pobreza.

Os números são oficiais. Num estudo patrocinado pelo próprio Governo do Estado, de fevereiro de 2009, aparecem no menor estado da federação quase 30 mil crianças entre 5 e 15 anos que são obrigadas a trabalhar. Em Sergipe, o número de crianças e adolescentes fora da sala de aula é bem maior do que aquele que está matriculado.

Enquanto no Brasil a média de ocupação de jovens entre 15 e 17 anos que freqüenta a escola (ensino médio) é de quase 48%, aqui em Sergipe esse índice é de apenas 29%. Nossos jovens não estudam. Sergipe é o sétimo estado brasileiro em número de analfabetos. No município de Nossa Senhora Aparecida, metade da população é analfabeta. A “capital de qualidade de vida” carrega o vergonhoso índice de 10% de analfabetos.

A prova de que esse “desenvolvimento” de Sergipe é uma falácia e continua sem apresentar mudanças de rota é que o menor estado do Brasil é o campeão de número de indigentes. Os números apontam que temos 21,1% da população vivendo com menos de R$ 95 por mês. São mais de 430 pessoas nessa condição de indigência. É vergonhoso ainda ter um estado rico como Sergipe 46,6% da população em situação de pobreza, isto é, quase 1 milhão de pessoas que têm rendimento mensal inferior a R$ 190,00.

Mas ao mesmo tempo em que carregamos um contingente enorme de excluídos, entre 2002 e 2006, o PIB per capita anual de Sergipe (que faz a relação entre as riquezas produzidas e a sua população) passou de R$ 4,2 mil para R$ 4,5 mil por pessoa, um dos destaques positivos do Nordeste.

Resolve-se esses graves problemas da noite para o dia? Em um mandato de quatro anos? Em dois? Claro que não. Isso é um processo constante e lento, mas que precisa de ações fortes e determinadas de Estado que contrariam interesses políticos eleitorais imediatos e que talvez este governo não tenha vontade de contrariar. Uma pena.E assim continuaremos a assistir ao espetáculo da propaganda eleitoral cotidiana, dos factóides montados para criar alguma sensação de “novo”, que até convencem a maioria, mas que, na prática, perpetuam um estado profundamente injusto. Até quando?

Aula de Sociologia - 1º Seriado H

Atividade de reflexão e produção de texto argumentativo sobre o tema

Aula de Sociologia - música cidadão

Discussão sobre cidadania e exclusão social

Música Cidadão

Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer

Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer

Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar

Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

Espaço para discussão sobre cidadania e exclusão social em qualquer lugar que exista injustiça social.

Cidadão de papel (morador de rua)